Diretor: Paulo Menano

A IDEIA FOI CRIAR EM VILA RUIVA E EM VILA SOEIRO DO CHÃO, INICIATIVAS DE ÂMBITO CULTURAL QUE PUDESSEM TRAZER VISITANTES

O Noticias de Fornos de Algodres tem vindo a dar especial relevo às autárquicas 2017, nessa perspetiva fomos ao encontro de Manuel Paraíso, Presidente de Junta da União das Freguesias de Juncais, Vila Ruiva e Vila Soeiro do Chão.

Que obras foram realizadas na União das Freguesias no decorrer dos últimos anos?

Bem, se considerarmos obras da responsabilidade do município, iniciadas, continuadas ou finalizadas, a resposta é nenhuma. Ao longo destes quatro anos a Câmara de Fornos de Algodres, não investiu um único euro em projetos da freguesia. Pese embora, numa fase inicial e na sequencia de algumas reuniões, ainda termos considerado que este executivo iria dar continuidade a algumas das obras que haviam sido iniciadas pelo anterior, como era o caso da conclusão da ampliação do cemitério de Juncais, e de nos ter sido manifestado o propósito e a intenção resolver algumas situações que precisavam de resposta urgente, como era o caso das fossas séticas em Vila Ruiva, ou dos passeios da Rua Principal em Vila Soeiro do Chão, o facto é que o tempo foi passando e as promessas esvaziaram-se de conteúdo. No caso particular do cemitério de Juncais, o Sr. Presidente chegou inclusive a afirmar que a obra já havia sido adjudicada, no entanto, o tempo passou e os trabalhos nunca foram iniciados.  Relativamente às duas outras situações, os passeios em Vila Soeiro do Chão teve que ser a Junta de Freguesia a fazer a obra, que todavia, ainda não está totalmente concluída, mas aquela que era a intervenção mais premente, pelos danos e prejuízos que está a provocar aos proprietários dos terrenos contíguos, a requalificação das fossas séticas em Vila Ruiva, nunca chegou efetivamente a avançar, apesar das inúmeras promessas e dos veiculados avanços na procura de uma solução.

Mas se já é grave não fazer, ainda mais grave é não deixar que se faça, e nesse aspeto, houve um episódio que não posso deixar de referir aqui e que se prende com uma proposta que nos foi avançada pela REN, para a requalificação de toda a faixa de proteção às linhas de alta tensão que passam em Vila Ruiva. A proposta foi avançada pelo próprio responsável regional da REN e previa, para além de toda a limpeza da área e da requalificação de todo o coberto vegetal com a introdução de espécies arbustivas e plantas autóctones, a criação de um circuito de manutenção e a delimitação de um pequeno percurso pedestre temático. A REN disponibilizou-se para assumir os custos de todos os trabalhos de limpeza e de aquisição das plantas e de substituição do coberto vegetal, a Junta de Freguesia estava na disponibilidade de colaborar nas despesas de instalação e aquisição das estações do circuito de manutenção, mas a obra não avançou, porque o Sr. Presidente da Câmara simplesmente não quis e a dada altura mandou suspender os trabalhos que os técnicos estavam a fazer.

E perante isto, todas as obras que foram feitas da freguesia, que consideramos foram bastantes mas que se pudéssemos teriam sido mais, resultaram do único esforço financeiro da Junta de Freguesia, sem qualquer tipo de apoio financeiro, da Câmara Municipal.

Qual o Balanço dos últimos eventos realizados, sendo os mesmos, Festival Urere, Festival do Peixinho e Spring Burros Fest?

Posso por ventura ser suspeito, mas afirmaria com toda a convicção que bastante positivo. A edição deste ano destas diversas iniciativas, superou as nossas melhores expetativas, uma vez que a afluência de público, em todas elas, foi bastante grande, o que comprova que são eventos já com bastante projeção a nível regional. Como o modelo, havia resultado em Juncais com o Festival do Peixinho do Rio, a ideia foi criar em Vila Ruiva e em Vila Soeiro do Chão, iniciativas de âmbito cultural que pudessem trazer visitantes e simultaneamente promover as nossas aldeias. E a meu ver a aposta foi conseguida. Hoje temos três iniciativas, cada uma com características bastante distintas, mas que expressam uma séria aposta na cultura, onde a música, a arte e o teatro estão sempre presentes e que tem enorme potencial para continuarem a crescer.

Apesar de não estar contemplada na questão houve uma outra que desejaria aqui destacar e que foi o Encontro da Semente, realizado em Novembro de 2015 e que ao longo de três dias, reuniu várias centenas de pessoas em várias iniciativas que decorreram nas três aldeias. Foi um evento que não voltará a repetir-se, uma vez que os propósitos e objetivos do mesmo foram cumpridos e que foi o levantamento nesta área geográfica, das variedades regionais de hortícolas e de fruteiras, que depois passarão a fazer parte do Banco de Sementes da Associação Colher para Semear. Lamentavelmente também em relação a esta iniciativa a Câmara Municipal não quis colaborar e desperdiçou-se assim uma oportunidade deste levantamento ser feito a nível de todo o concelho. Agora apenas a nossa freguesia tem o seu espólio depositado no referido Banco de Sementes, tudo o resto que ainda se cultiva no resto do concelho acabará um dia por se perder. Ironicamente a Câmara vem agora promover uma iniciativa no âmbito da biodiversidade quando desprezou nossa agrobiodiversidade.

Quais os projetos para o futuro?

Os projetos para o futuro, como é óbvio são muitos, pois há muito património construído à espera de reabilitação e alguns espaços de lazer e manutenção para os mais velhos, a criar de raiz e que pretendemos vir a instalar em todas as localidades. Há trabalhos a concluir, como por exemplo o da reposição nos chafarizes de Vila Soeiro do Chão, das águas do Vale do Grou, cujos trabalhos na nascente estão praticamente concluídos, ficando a faltar a instalação de tubos até ao Largo do Meio do Povo, que a Câmara Municipal se responsabilizou a fazer.

Mas também temos outro tipo de projetos, que passarão pelas áreas da música e do teatro, mas um muito particular que visa a recuperação da cultura local duma variedade de melão conhecido por melão de Vila Soeiro, que estava praticamente extinta e que o levantamento que efetuámos em 2015, permitiu dar de novo a conhecer. Já há contatos com alguns institutos de agronomia, para procurarmos desenvolver um projeto em conjunto que permita a reabilitação desta variedade.

Qual a relação com a autarquia?

Lamentavelmente a relação com a Câmara Municipal é muito má, mas se a mesma chegou a este ponto de degradação, deve-se exclusivamente ao executivo municipal e à forma como sempre tratou, ou melhor, ignorou esta Junta de Freguesia, que, na nossa opinião e nas coisas que nos dizem respeito, terá sempre que ter uma palavra a dizer.

Lamentavelmente, o Sr. Presidente da Câmara cedo se distanciou do seu discurso de tomada de posse, e em vez daquilo que então defendeu e que era a de uma linha de estreita relação entre Juntas de Freguesia e a Câmara Municipal, como eixo principal deste seu mandato, sempre privilegiou a não articulação e a atuação à revelia do conhecimento e da posição da Junta de Freguesia. Por ter assumido uma postura de enorme intransigência em relação a determinado assunto, que não cabe aqui identificar, e de, relativamente ao mesmo, ter assumido uma postura de prepotente inflexibilidade, esta Junta de Freguesia viu-se na contingência de agir judicialmente contra o Município, o que veio a precipitar ainda mais as coisas, é que apesar do Sr. Presidente enaltecer, nos seus discursos do 25 de Abril, as conquistas de abril e o direito à diferença de opinião, nunca soube efetivamente lidar com ela, assumindo basicamente uma postura de mera retaliação em relação à União de Freguesias. E a partir daí passamos a ficar “de castigo” como se faz aos meninos mal comportados, e assim, por exemplo, deixamos de poder contar com alguns equipamentos da Câmara Municipal como retroescavadoras e limpa bermas, os quais já não nos são disponibilizados desde Abril de 2015, e há trabalhos de reparação de pavimento na Rua Principal em Vila Soeiro do Chão, há espera de intervenção desde Outubro de 2015.

Espero muito sinceramente que num futuro próximo o executivo reveja a sua posição.

Na sua opinião quais as áreas a apostar no concelho de Fornos de Algodres?

Considero que há uma coisa incontornável que, infelizmente, resultou da enorme incapacidade com que todos os governos deste país, sem exceção, trataram do acentuado processo de desertificação do interior e com a qual agora temos que nos confrontar todos os dias e que é o facto das nossas aldeias estarem a ficar sem gente.

Vejo com alguma dificuldade, apesar de todas as condições em termos de infraestruturas rodoviárias que o concelho possui, que num futuro próximo se venham aqui a instalar grandes indústrias. E se o fizessem, estas unidades deparar-se-iam com enorme dificuldades em garantir mão-de-obra necessária ao seu funcionamento, o que já está acontecer, em concelhos bastante mais populosos, por exemplo, do distrito de Viseu. Por isso, não considero que se possa, para já e por essa via, inverter o processo e levar as pessoas a fixarem-se de novo no interior. Assim, considero que a aposta terá que ser no apoio à fixação das pequenas e medias industrias, na aposta em produtos que permitam diferenciar este território, como é o caso dos produtos à base de urtiga e sobretudo no turismo.

Estando Ligado à confraria da Urtiga como vê o associativismo no concelho de Fornos?

Com exceção de algumas associações, entre quais incluo naturalmente a Confraria da Urtiga, que se têm afirmado como importantes agentes de desenvolvimento local, dinamizadoras e empreendedoras, vejo a realidade do associativismo local como bastante inconsequente, quando comparado com outras realidades como por exemplo o de pequenas comunidades francesas, como é o caso Levet, vila com quem Fornos se encontra geminado. Mas isto tem naturalmente a ver com questões culturais e de formação que, por vezes, não é fácil contornar, nem contrariar. As nossas gentes estão demasiado acostumadas e acomodadas ao seu cantinho e é muito difícil levá-las a movimentar-se e a sair da sua zona de conforto. No entanto, ainda que sem serem propriamente associações, projetos como o da Universidade Sénior, têm sido capazes de contrariar este processo, pelo que será porventura um modelo a seguir. Agora, cabe também à Câmara apoiar estas entidades que vão surgindo, mas fazê-lo de forma diferenciada e não como até aqui tem sido feito, que é, basicamente, meter tudo no mesmo saco e apoiar da mesma forma e com os mesmos incentivos, não diferenciando sequer pela importância das iniciativas que cada uma desenvolve, ou pelo tipo de públicos alvo. Isto considero que não é correto, como, menos correto ainda, é ter comportamentos discriminatórios em relação a algumas delas, como tem vindo a ser crescentemente o caso da Confraria da Urtiga, que desde a sua constituição sempre foi convidada para participar nas Festas da Senhora da Graça e que nas últimas duas edições tem sido ignorada. Se calhar também está “de castigo”…

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