Diretor: Paulo Menano

Jornadas socioculturais em Vilar Formoso

A Associação de Exilados Políticos Portugueses organiza este sábado e domingo, em Vilar Formoso, umas jornadas socioculturais que destacam a passagem da fronteira “a salto”, por milhares de portugueses, nos anos da ditadura e da guerra colonial.

A vila fronteiriça de Vilar Formoso, concelho de Almeida, homenageia esta fim-de-semana todos aqueles que atravessaram a fronteira “a salto” (de forma clandestina) e “corriam risco de prisão ou expulsão”.
Segundo o presidente da Associação de Exilados Políticos Portugueses (AEP61-74), Fernando Cardoso, para sábado está prevista a presença, num colóquio, dos historiadores Irene Pimentel e Pacheco Pereira, e de Ana Gomes.
O programa do primeiro dia da iniciativa também inclui, entre outros momentos, a projeção do filme “O Trilho do Poço Velho”, de Luís Godinho, e a apresentação de um livro.
No segundo dia, 11 de agosto, domingo, terá lugar a marcação e o percurso de um dos antigos trilhos do “salto” (trilho do cruzeiro) até à localidade espanhola de Fuentes de Onõro e a colocação, na zona da alfândega de Vilar Formoso, de uma placa alusiva à passagem “a salto” da fronteira.
Fernando Cardoso disse que a ideia para a iniciativa, que a AEP61-74 vai realizar em Vilar Formoso, surgiu no decurso de um projeto intitulado “Os Trilhos do Salto”, que tem como objetivo “produzir pequenos documentários sobre as cinco ou seis zonas de passagem de fronteira” que os exilados utilizavam durante a ditadura. Já foi produzido o primeiro filme, “O Trilho do Poço Velho”, com realização de Luís Godinho, precisamente sobre a passagem em Vilar Formoso.
“Também porque Vilar Formoso foi o ponto de passagem mais importante quer para exilados quer para emigrantes económicos”, acrescentou o responsável, lembrando que “a maior parte da emigração na Europa”, nos anos de 1960/70, praticou a modalidade do “salto”.
Segundo o responsável, o “salto” era realizado essencialmente de dois modos: “Ou através de um passador ao qual se pagava uma quantia (na época cinco ou 7.000 escudos). Esse passador conduzia um grupo até Paris, por exemplo, ou dava, após a passagem da fronteira entre Portugal e Espanha, indicações concretas como chegar a França. Ou os ‘saltadores’ poderiam utilizar umas das redes de passagem já organizadas quer pelo PC [Partido Comunista] quer pela extrema-esquerda”.

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