Diretor: Paulo Menano

Opinião: Novo tempo novos conceitos

Como resposta às profundas mudanças que afetaram a economia e as novas situações de mercado e transversalmente toda a sociedade, é imprescindível rever os conceitos em relação ao setor público e empresarial do Estado e dota-lo de capacidade e engenho para debelar os desafios do futuro.
A crise económica continuada e aparentemente sem fim, a crescente atividade legislativa consubstanciada na criação de novas leis, normas e regulamentos em múltiplos domínios do Estado e da sociedade (incluindo a transcrição ou “incorporação” de milhares de normas e diretivas comunitárias), a degradação reiterada do Sistema Nacional de Saúde, a introdução de novas tecnologias, a gestão de pastas, dossiers, processos e recursos muito “vigiada” pela lei, as mudanças que se esperam no sistema de ensino e na educação, com a aceleração imposta pela doença pandémica COVID 19, com as vicissitudes, implicações e restrições que da mesma decorrem, a descentralização de competências para as autarquias, o “novo” regime da contratação pública, os novos conceitos e justificadas preocupações em torno dos problemas ambientais, da sustentabilidade do planeta e da proteção de todos os seres, a agenda 21 local, etc., são fatores que carregam para a Administração pública responsabilidades acrescidas, maiores exigências e por maioria de razão a necessidade de mais rigor e de mais competência.
Cito Ruy Barbosa para melhor ilustrar onde pretendo chegar com o supra arrazoado,
“Toda a capacidade dos nossos estadistas se esvai na intriga, na astúcia, na cabala, na vingança, na inveja, na condescendência com o abuso, na salvação das aparências, no desleixo do futuro”.
Ter conhecimento acentuado, experiência no serviço público e gerir por competência são “instrumentos” essenciais para a administração dos poderes públicos nos anos vindouros.
Os titulares de cargos políticos e os gestores públicos devem ser recrutados e escolhidos de entre pessoas com comprovada idoneidade, competência, conhecimento académico e experiência multifacetada, incluindo no exercício de cargos ou funções públicas.
O exercício de cargos públicos ou políticos de responsabilidade complexa não se compadece com ímpetos de curiosidade, oportunismo e/ou aventureirismo.
A atividade comercial local, a industrialização, a saúde, o ambiente, os transportes, o desporto, não podem continuar a ser os parentes pobres do poder autárquico. São interesses que pela sua relevância, na sociedade, na economia e nas pessoas, carecem de um tratamento diferenciado e proactivo por parte dos órgãos municipais e regionais. Impõe-se mais critério na ação política, mais criatividade, sabedoria e mais consciência sobre desenvolvimento local (que se quer integrado e sustentável).
Neste conspecto, o “receituário” é, grosso-modo, mais competência, mais experiência e conhecimento acentuado.
Experiência é o conhecimento adquirido pela prática, pelos estudos e pela observação.
“A experiência é um troféu composto por todas as armas que nos feriram” – Marco Aurélio -.
Competência é a qualidade da pessoa que é capaz de resolver problemas. É sinónimo de idoneidade e de aptidão. Significa ainda cultura, conhecimento e jurisdição.
Preparação, capacidade e qualidade para atingir um diferencial competitivo.
Quando se pretende avaliar as qualificações de alguém, somos de imediato confrontados com dois tipos de habilidades: Hard Skills (habilidades técnicas) e Soft Skills (habilidades comportamentais).
Competência é a coordenação da experiência, com conhecimento, habilidade e atitude (CHA).
Conhecimento – é o saber teórico acumulado que resulta da experiência individual e profissional, da formação académica e do estudo não-formal.
Habilidade – é a capacidade de pôr em prática o conhecimento adquirido – é o Saber Fazer -.
Atitude – é tomar iniciativas para mudar e melhorar continuamente a relação organizacional – é o Saber Ser -.

Outras competências essenciais do gestor no futuro das organizações administrativas/governamentais e no mercado:
1. Criatividade – Ir além do comum (onde todos chegam). É uma vantagem competitiva.

2. Capacidade de resolver problemas complexos – criar e entender estratégias que tragam respostas rápidas e eficientes sobre situações novas ou ainda indefinidas.

3. Saber lidar com a diversidade – respeito pelos valores e pelas diferenças, tanto na proteção da natureza e do mundo animal como nas relações entre pessoas: todos diferentes mas todos iguais.

4. Boa comunicação e proatividade – ter boa oratória e saber comunicar. Transformar informação em conhecimento e tomar a dianteira para evitar ou minorar o problema.

5. Domínio das novas tecnologias – atualizar técnicas, rever conceitos e otimizar processos e procedimentos.

6. Inteligência emocional – autoestima, resiliência e controlo de emoções.

7. Flexibilidade e abertura a mudanças – Abertura à inovação, às novas ideias e conceitos. Sair da zona de conforto.

Todos estes princípios, predicados e qualidades definirão os gestores do futuro e farão a separação entre o bom gestor e o mau gestor, o bom governante e o mau governante, o bom autarca e o mau autarca, o bom diretor e o mau diretor, com consequências diferentes para os cidadãos, para o país, para a região, para a cidade e para a freguesia, como não podia deixar ser.

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