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Entrevista a Amadeu Poço

O que o faz voltar a eleições?
A Associação de Futebol da Guarda está hoje, muito melhor do que estava quando aqui cheguei com a minha equipa. No entanto, sentimos que ainda não terminámos o nosso trabalho. Não terminaram, por falta de tempo ou…?
Todos nós conhecemos a situação atual do país, mais do que isso, todos nós conhecemos, há muitos anos, o peso da interioridade e da desertificação. É precisamente este entrave que se reflete na dinâmica que gostaríamos que a Associação tivesse. Falta gente?
Falta gente, faltam empresas, falta de tudo um pouco.
Todos os que estão no associativismo sabem da dificuldade que é angariar recursos, quer financeiros, quer humanos. Nós, financeiramente, não nos podemos queixar, pois temos uma situação estável, apesar de termos algumas dívidas a receber. A vertente financeira é sempre importante e a desportiva?
Desportivamente, nós, enquanto associação de futebol, somos representados pelos nossos clubes nos nacionais, pelos nossos árbitros, pelas nossas seleções e pelas competições distritais.
Relativamente aos clubes estamos, há já muito tempo, numa situação difícil, em termos de Futebol Séniores Masculinos. As nossas equipas não se conseguem manter. Mesmo este ano, com a situação da pandemia, a equipa que disputava os nacionais, decidiu não continuar a participar.
Nas camadas Jovens de Futebol Masculino, estamos representados todos os anos. Todavia, a falta de competitividade e experiência, faz com que as nossas equipas andem sempre na luta para não descer.
Quanto ao Futsal, também estamos com dificuldade em manter o nosso clube de Séniores, sendo que, este ano, com a pandemia, não houve taças nacionais.
No Futebol Feminino, temos dois clubes representantes que, com muito esforço e mérito próprio, vão atingindo a manutenção.
Na arbitragem, estamos bem. Tivemos uma mudança de perspetiva, valorizamos os nossos árbitros (tal como os nossos treinadores e jogadores) e por isso, fizemos um esforço financeiro enorme para lhes proporcionar melhores condições de trabalho e treino. Fruto da excelente relação que, pessoalmente, mantenho com o presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, acredito que nos continuarão a acompanhar neste investimento.
As nossas seleções, são também atingidas pelo problema da desertificação. Ao termos poucas equipas nos campeonatos nacionais, bem como campeonatos distritais curtos, faz com que os nossos jovens tenham pouca experiência/poucos jogos, o que interfere na sua competitividade e desempenho. O objetivo passará por dotar as seleções com os melhores técnicos para poder proporcionar experiências e vivências únicas aos nossos jovens, a par de um melhor desempenho desportivo.
As competições distritais, como referi anteriormente, são fortemente condicionadas pela falta de recursos humanos. Os diretores, são os mesmos há muitos anos e por vezes lutam sozinhos contra todas as adversidades, os treinadores (a grande maioria voluntários) fazem o que melhor conseguem, habitualmente, com poucos jogadores e com condições que merecem e devem ser melhoradas.
Nas camadas jovens vulgarmente temos equipas a desistir, depois de inscritas e mesmo até depois da competição começar. Estas situações não facilitam o trabalho organizativo e de planificação a longo prazo. Podemos, utopicamente falar num grande plano estratégico para 5 anos, mas será que, por exemplo, no Sabugal daqui a 2 anos haverá jovens a crer jogar futebol, numa determinada camada? Equipararmo-nos à FPF é termos o sonho de grandeza, para a FPF é fácil, pois se não entrar uma equipa de cada distrito entram duas ou três dos distritos mais populosos (habitualmente as associações do litoral) e mesmo assim a FPF está constantemente a adaptar os seus quadros competitivos.
Apesar deste cenário, tenho ouvido excelente propostas dos novos membros da minha equipa, muitos deles que me parecem realizáveis e que vão dar uma nova “alma” ao nosso distrito.
Estamos numa fase diferente e é extremamente importante ouvirmos todos para melhor trabalharmos todos. Daí a importância que dei ao procurar pessoas de todos os concelhos do distrito. Aumentar a proximidade para aumentar o dialogo com os clubes filiados.
Aproveito este balanço para demonstrar a minha gratidão a todos que se esforçam para fomentar e continuar o futebol distrital, muitas vezes com sacrifícios pessoais.
Projetos futuros?
O grande projeto deste quadriénio será a Academia da Associação de Futebol da Guarda. Este espaço será subsidiado pela Federação Portuguesa de Futebol, através de protocolos e de algum capital próprio. E será onde?
Essa é uma pergunta muito oportuna. Nos contatos que mantemos com alguns clubes, foi sendo demonstrado interesse em receber este projeto.
Para ganhar votos, já podia ter prometido a uma série de clubes. Porém, na realidade, ainda não está definida a localização. O local será o que melhor servir os interesses da associação. Diz-se por aí que a Arbitragem é o calcanhar de Aquiles da sua lista.
Não é essa a minha perspetiva. Nós temos feito um esforço imenso para manter o investimento na arbitragem. Esse esforço não é meu, nem dos meus colegas de direção, ou dos órgãos sociais. É sim de todos os filiados, que se esforçam por pagar as suas obrigações junto da AFG. Nesta perspetiva, não podemos manter um CA distante da maioria dos clubes. Temos de promover maior abertura perante os clubes. Queremos dinamizar o relacionamento institucional entre CA e filiados.
Todos os elementos e todos os órgãos eleitos terão de estar sempre à disposição dos filiados. Não consigo entender de outra forma. Quer deixar alguma ideia aos nossos leitores?
A ideia que pretendo deixar é que continuaremos a dar à associação a estabilidade que ela necessita. Não vamos em grandezas nem em passerelles, e acima de tudo, não aceitamos que a associação sirva como um meio para atingir objetivos pessoais.
Continuaremos a servir os clubes como até hoje servimos, com a certeza que seremos a escolha certa no próximo dia 4 de julho.

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