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Aldeia Viçosa revive hoje tradicional “Magusto da Velha”

A localidade de Aldeia Viçosa, na Guarda, revive esta quarta-feira, 26 de dezembro, o tradicional “Magusto da Velha”, que remonta ao século XVII e inclui a oferta de vinho e de castanhas aos participantes, uma tradição que atrai pessoas da região mas também de outros pontos do país.

Segundo o presidente da Junta de Freguesia de Aldeia Viçosa, Luís Prata, na tarde de hoje serão uma vez mais lançadas castanhas e rebuçados destinados às crianças do alto da torre da igreja.
Durante a iniciativa, organizada pela Junta de Freguesia de Aldeia Viçosa com o apoio da Câmara Municipal da Guarda, também haverá pão torrado embebido em azeite, vinho, cavaladas (que ocorrem quando as pessoas se baixam para apanharem as castanhas do chão e os mais novos saltam para cima das suas costas), madeiro de Natal, “muita animação” e teatro. “Vai ser mais um ‘Magusto da Velha’ em grande, para mantermos a tradição, cumprirmos o testamento e rezarmos o Pai-Nosso pela alma da velha'”, garante Luís Prata. O “Magusto da Velha” tem origem numa herança feita em 1698 aos habitantes de Aldeia Viçosa, localidade situada no Vale do Mondego, no concelho da Guarda, por uma mulher abastada que ficou conhecida por “velha”, já que não se sabia o seu nome.
Segundo a tradição, a benemérita quis que os residentes comessem castanhas e bebessem vinho uma vez por ano e, em troca, rezassem um Pai-Nosso pela sua alma. A herança é mencionada no “Livro de Usos e Costumes da Igreja do Lugar de Porco – Ano de 1698”, título que refere a antiga denominação de Aldeia Viçosa. Ainda hoje, a Junta de Freguesia recebe uma renda anual perpétua de 15 cêntimos de euro. Segundo o presidente da Junta, como é hábito, naquele dia a autarquia distribuirá 150 quilos de castanhas e oferecerá cerca de 25 litros de vinho aos presentes.
As atividades começam pelas 14:30 com a realização de uma missa pela alma da “velha” e do soldado António Martins, natural da terra, que morreu na 1.ª Guerra Mundial (1914-1918), seguindo-se o içar das castanhas para o cimo da torre da igreja e o lançamento para o meio da assistência.
O programa também inclui a dramatização, pelo grupo Hereditas (Guarda), de cenas da época medieval, como a atribuição da Carta de Foro à “Villa de Santa Maria de Porco”, em 1238, no reinado de Dom Sancho II, e o Testamento estabelecido pela “velha” com o povo.

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